14 de novembro de 2013

O direito à crítica

Eu ainda sou do tempo em que os jogadores conviviam com os sócios na rua ou nos cafés. Ainda hoje, antigos craques do nosso clube, como o grande Fernando, o extraordinário Lito, o popular Carlos Garcia são pessoas que encontramos na rua e às quais nos podemos dirigir com um “tu-cá-tu-lá” que nos é vedado pelos craques da atualidade. O que mudou? Não acredito que seja o caráter das pessoas que os tenha afastado do contacto com os sócios. A grande diferença é que um craque da atualidade é, acima de tudo, um profissional endinheirado. Para eles, por mais dedicação que tenham ao clube, o valor dos contratos reina acima de tudo o resto. Para o comum dos mortais, eles vivem noutro mundo.
É por isso que fico um pouco perturbado quando alguns desses profissionais pagos a peso de ouro, auferindo vencimentos equivalentes a centenas de salários mínimos por mês, ficam melindrados com as críticas dos adeptos. No dia em que os adeptos não puderem criticar, o que lhes sobrará?

O treinador e os jogadores são pagos para jogar e treinar o melhor que sabem. Os adeptos existem para sofrer e pagar. Com que direito, então, algumas estrelas vêm fazer o discurso da donzela ofendida quando o adepto exerce o seu parco e modesto direito de criticar?
Excerto de um artigo publicado no Diário do Minho de 14 de Novembro