14 de novembro de 2013

O direito à crítica

Eu ainda sou do tempo em que os jogadores conviviam com os sócios na rua ou nos cafés. Ainda hoje, antigos craques do nosso clube, como o grande Fernando, o extraordinário Lito, o popular Carlos Garcia são pessoas que encontramos na rua e às quais nos podemos dirigir com um “tu-cá-tu-lá” que nos é vedado pelos craques da atualidade. O que mudou? Não acredito que seja o caráter das pessoas que os tenha afastado do contacto com os sócios. A grande diferença é que um craque da atualidade é, acima de tudo, um profissional endinheirado. Para eles, por mais dedicação que tenham ao clube, o valor dos contratos reina acima de tudo o resto. Para o comum dos mortais, eles vivem noutro mundo.
É por isso que fico um pouco perturbado quando alguns desses profissionais pagos a peso de ouro, auferindo vencimentos equivalentes a centenas de salários mínimos por mês, ficam melindrados com as críticas dos adeptos. No dia em que os adeptos não puderem criticar, o que lhes sobrará?

O treinador e os jogadores são pagos para jogar e treinar o melhor que sabem. Os adeptos existem para sofrer e pagar. Com que direito, então, algumas estrelas vêm fazer o discurso da donzela ofendida quando o adepto exerce o seu parco e modesto direito de criticar?
Excerto de um artigo publicado no Diário do Minho de 14 de Novembro

6 de novembro de 2013

O Efeito PLI

Na presente época temos uma equipa a fazer uma carreira brilhante e que pouco destaque tem tido, em relação àquilo que realmente merece: refiro-me à equipa de futsal SC Braga/AAUM.
No entanto, há um aspeto que gostava de referir aqui por me parecer determinante na carreira desta equipa: o efeito PLI. E o que é o efeito PLI? É a honra e a inteligência de um clube que mantém nas suas fileiras um atleta e um “senhor” como é esse guarda-redes de 36 anos que defende as nossas cores há quase nove anos. Em jogo, no banco ou na bancada, no meio dos adeptos, o Pli está lá sempre de corpo e alma. Ele vive e transpira o SC de Braga.
A equipa principal de futebol está em crise, como toda a gente sabe; as razões para essa crise são muito variadas; mas é inegável que nos falta o efeito PLI. Falta ali alguém que leve para o campo o braguismo, o amor à camisola, o sentimento do adepto. É claro que temos alguns excelentes profissionais, muito dedicados. Mas não é a isso que me refiro; é a alguém que transporte aquilo a que outros chamam “mística” e a que eu prefiro chamar “amor à camisola”. Aquela vibração, aquela alegria, aquele fervor que o Pli coloca no jogo é algo que transmite uma energia tremenda ao grupo.

Nos tempos em que, realmente, estivemos mal, com a “corda” no pescoço, foram homens como Barroso, Zé Nuno e Artur Jorge, por exemplo, que salvaram o nosso Braga. Agora, por muito que admire profissionais como Alan ou Custódio, parece-me que falta ali um PLI.
Excerto de um artigo publicado no Diário do Minho de 31 de Outubro
Manuel Cardoso