25 de fevereiro de 2013

Desacatos no D. Afonso Henriques suspendem jogo

Houve confrontos entre adeptos, na partida entre o V. Guimarães B e o Sp. Braga B. Mário Figueiredo aponta o dedo ao Governo

O encontro V. Guimarães B-Sp. Braga B, a contar para a 29.ª jornada da II Liga, foi ontem suspenso, apenas oito minutos após o início da partida, devido a confrontos entre adeptos vimaranenses e bracarenses. O clube vitoriano considera “lamentável” o que se passou e promete “apurar responsabilidades”, enquanto Mário Figueiredo, presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), responsabiliza o Governo pelos recentes incidentes nos estádios.

O derby minhoto, importante na luta pela fuga à despromoção, tinha começado há apenas oito minutos quando o árbitro Hugo Pacheco interrompeu a partida devido a desacatos entre adeptos dos dois clubes. Os incidentes iniciaram-se quando os apoiantes bracarenses entraram no topo norte do Estádio D. Afonso Henriques e foram recebidos pelos adeptos vimaranenses com o lançamento de cadeiras e tochas.

Apesar da enorme rivalidade entre os clubes, a direcção do V. Guimarães não requisitou policiamento para a partida e os stewards destacados para o jogo, responsáveis por manter a segurança, revelaram-se incapazes de suster a violência, que terá provocado duas dezenas de feridos.

Os primeiros a reagir aos incidentes foram os responsáveis vimaranenses. Júlio Mendes, presidente do V. Guimarães, considera o que se passou “absolutamente lamentável”. “Tenho a garantia que estava tudo organizado para que tivéssemos um jogo de futebol e uma festa, mas não foi isso que aconteceu. Foi uma situação muito grave, que não voltará a acontecer enquanto eu for presidente”, disse Júlio Mendes, que garantiu que vai “responsabilizar os protagonistas destes incidentes”. “Se pensam que o futebol é isto ou que o Vitória pode ser isto, terão de arranjar outros responsáveis para o clube. Há um grupo restrito de adeptos que transforma aquilo que deve ser uma festa neste tipo de coisas lamentáveis”, vincou.

Do lado da LPFP, a reacção surgiu pela voz do presidente, que deixou fortes críticas a Miguel Relvas. Mário Figueiredo começou por lamentar os “actos de violência gratuita”, lembrando que “há legislação para punir”. “Espero que apliquem a lei com mão pesada. Tem de ser interdita a entrada de desordeiros nos estádios de futebol, que devem ser chamados a uma esquadra e aí ficarem enquanto os jogos estiverem a decorrer.”

Figueiredo lançou depois um ataque ao Governo, que “anda mais preocupado em defender o monopólio, o abuso da posição dominante e em aproveitar-se do futebol do que em servir”. “Hoje [ontem] assistimos a acontecimentos alarmantes, que lamentamos e condenamos. Mas, há dias, o senhor ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares [Miguel Relvas] disse que há segurança no desporto”, recordou, deixando depois um recado: “É lamentável que alguns políticos só se sirvam do futebol para passear nas zonas VIP. Está na altura de encontrar pessoas credíveis para a tutela desportiva em Portugal”.

Público, 25/02/2013