23 de março de 2012

Barcelos

O Braguista é um adepto habituado a sofrer, é um facto. 
Há uns anos, o sofrimento era o de levar com o sol na cara durante uma tarde inteira de Domingo, sentar na pedra fria do velhinho 1.º de Maio ou enfrentar aqueles dilúvios a que Braga nos habitua, enquanto rezávamos pelo "pontinho" frente ao Alverca ou ao Estrela da Amadora para nos salvarmos nas últimas jornadas do destino tão indesejado: a descida de divisão. Nos dias de hoje, o sofrimento é outro: o de ver o nosso clube "falhar" nos momentos decisivos, no momento em que o caneco pode ser nosso. Foi assim nas meias-finais da Taça frente a Vitória de Setúbal e Belenenses. Foi assim no final do campeonato de 2009/10. Foi assim em Dublin. Foi assim ontem à noite. Talvez seja por falta de experiência, talvez seja simplesmente porque a sorte nunca quis nada com este clube... Sofrimentos diferentes, é verdade, mas, ainda assim, sofrimentos.

Apesar de tudo isto, o orgulho e a vontade de apoiar o clube da terra com que o Braguista sai do estádio depois do desaire e com que se levanta no dia a seguir ao jogo é inigualável. Quando 5.000 pessoas se despedem da equipa depois de um desaire tão difícil de aceitar como de ontem, calando um estádio que vivia o momento mais alto da sua história e, no fim, aplaudindo vencedores e vencidos, é mais do que legítimo pensar que esta é uma atitude que nem todos conseguem ter. Talvez seja isso que faz de nós um clube diferente de muitos outros.

Hoje, nós, Braguistas, levantámo-nos com dificuldade porque peso de uma derrota (?) difícil nos faz pensar que é mais fácil não sair de casa ou mesmo da cama do que ir enfrentar aqueles adoram "deitar abaixo" o esforço dos outros, esses mesmo que têm uma mentalidade curta o suficiente para querer ganhar a todo o custo, nem que isso implique apoiar um clube de uma terra que nada lhes diz, que "sempre disseram que o sucesso do Braga é temporário" e que vivem melhor com os insucessos dos outros do que com os seus próprios sucessos. Hoje, o Braguista levantou-se na mesma, saiu para o emprego, para a escola ou para o centro da cidade com o mesmo sentimento e postura de sempre: cabeça bem levantada pelo orgulho que é apoiar o clube que representa a cidade que aprendemos, desde pequenos, a adorar.

Por tudo isto, somos diferentes. E aconteça o que acontecer ao nosso clube, quem nele trabalha sabe que nunca deixará de contar connosco para o que der e vier.

Segunda-feira, lá estaremos outra vez! Com o mesmo sonho de sempre, com a secreta esperança de que "é este ano!" e com a mesma vontade de sempre: ajudar o clube de que todos fazemos parte a vencer e a crescer em direcção a um sonho maior: o de, pela primeira vez, ser o maior de Portugal. Porque o melhor e mais exclusivo, todos acreditamos que já o somos...