3 de fevereiro de 2012

A entrada de Rúben Amorim: uma visão alternativa

A chegada de Rúben Amorim provocou em alguns adeptos do Braga alguma celeuma, em parte devido a declarações publicadas no site oficial do Benfica. No site oficial do Benfica!?!? É para levar a sério!?!? Cada um é livre de dar a essas palavras o valor que entender. Para mim, valem zero. Não depreendo das suas palavras que vir para Braga é um castigo, ao contrário do que diz o Cardoso. Eu considero é que a exigência de renovar contrato com o Benfica e, com isso, impedir que Amorim decidisse o seu futuro como bem entendesse, isso sim é um castigo. As palavras ao site oficial do Benfica, com desculpas forçadas e loas ao clube, são o complemento do seu castigo, o preço que ele teve de pagar para poder sair de um sítio onde já não se sentia bem. Alguém de bom-senso acha que as palavras do Amorim foram genuínas (porquê só agora!?) e não o fruto de um acordo, na sequência do processo disciplinar que lhe foi instaurado!?!?

Outra questão que se levantou foi em relação a uma propalada conflitualidade do Rúben Amorim. O Rúben Amorim!?!? Mas a sua carreira começou ontem!?!? O Rúben tem 27 anos!!! Já estava no quarto ano de Benfica. Sempre pautou a sua conduta pela discrição, raramente se lhe ouviu uma palavra agressiva ou de descontentamento. O seu comportamento no balneário tem sido até motivo de elogios, quer de ex-colegas quer de ex-treinadores – e o Braga tem possibilidades de o comprovar porque tem ao seu serviço um jogador que foi seu capitão por várias épocas. Por causa de palavras mal interpretadas por Jorge Jesus, esse gurú da língua portuguesa, foi-lhe feita vida difícil no seu clube. Braga foi a saída que encontrou – e não acredito que não tivesse outras hipóteses tentadoras. Tenho a certeza de que, há algumas épocas, Amorim descartaria à partida a possibilidade de vir para Braga. Nesse sentido, fico contente porque a sua escolha é também sinal do nosso crescimento.

É que a qualidade de Amorim é indiscutível. Não é um jogador de encher o olho mas é um jogador com uma versatilidade e um sentido táctico que abre a possibilidades de diversas variantes tácticas ao seu treinador. Amorim é um médio de transição, um box-to-box mas é capaz de fazer com competência de lateral-direito, de número seis (o vulgar “trinco”) ou de médio direito, em diversos sistemas tácticos. Não sei se será titular de imediato porque a nossa equipa está bem e tem uma estrutura definida. Mas temos posições, sobretudo no meio-campo, para as quais não há grandes alternativas de qualidade. Amorim, como dizem os brasileiros, vem para somar. Não tenho qualquer dúvida de que será um jogador muito utilizado e que será muito útil. E será mais um seleccionável nos nossos quadros. Se calhar nenhum irá ao Europeu, mas temos nesta altura pelo menos cinco jogadores que, por mérito, têm possibilidades de serem convocados: Quim, Custódio, Viana, Nuno Gomes e... Rúben Amorim.

Esta contratação deixa também à evidência o pragmatismo de António Salvador. Ao contrário do que algumas vozes diziam, não teve pruridos em ir buscar jogadores com historial no Benfica (Nuno Gomes e, agora, Rúben Amorim) para reforçar o seu plantel e em fechar negócios com o clube da Luz, deixando a falar sozinhos aqueles que nos etiquetavam de Porto B (muitos adeptos do ex-clube de Amorim). Não sei que contrapartidas houve (ou haverá) e portanto não sei avaliar da bondade do negócio. Mas sei que Amorim foi uma oportunidade de enriquecer o nosso plantel (à custa de problemas internos do Benfica) numa altura em que estamos no meio dos três metralhas, na luta, como sempre foi o objectivo de Salvador. Este pragmatismo merece, a meu ver, elogios.

Em relação a António Salvador, não são estas questões relacionadas com a gestão desportiva que me preocupam. A única preocupação que tenho é em relação à forma como o clube se relaciona com sócios e adeptos. O que merecia repúdio veemente dos adeptos seria, por exemplo, a política de preços dos jogos no AXA para a Taça da Liga e para o próximo jogo da Liga Europa. Nada justifica o autismo e a falta de senso demonstrada.