14 de outubro de 2011

Assembleia Geral do Clube - Notas Relevantes

Terminou há cerca de 1 hora a AG do Sporting Clube de Braga.

Absolutamente vergonhosa participação dos associados: não excederiam a centena aqueles que compareceram no auditório da Associação de Futebol de Braga para aprovar o relatório e contas do clube e o orçamento para a época 2011/12, num momento de grande importância para o Braga.

Mas vamos por partes.

Destaque inicial para o minuto de silêncio pedido por António Salvador em memória de Nuno Cunha e Manuel Barbosa, antigos presidentes do Sporting de Braga, que faleceram recentemente, minuto esse alargado aos restantes associados do clube que já não têm a felicidade de estar entre nós. Do discurso do "nosso" presidente importa realçar nova referência para a necessidade de construção da tão aguardada academia, tendo afirmado que a Câmara Municipal de Braga será parte integrante do projeto, pela "responsabilidade social" que o Sporting Clube de Braga tem na sociedade bracarense devido aos mais de 1.500 atletas que apoia nas 10 modalidades. A academia, segundo Salvador, será indispensável não só para que o clube "concentre" nela as modalidades amadoras e o futebol profissional mas também para uma centralização de todos os seus serviços, indispensável à profissionalização dos mesmos. Para que o projecto tenha sucesso e permita o crescimento do clube "é indispensável o envolvimento dos associados", referiu o presidente. António Salvador destacou depois o facto de o futuro do clube, apesar dos recentes resultados financeiros, passa pela continuação da política de rigor levada até este momento, que será naturalmente mais importante na conjuntura económica que nos espera nos próximos anos, particularmente, em Portugal. Notas ainda para a referência relativa ao prémio da UEFA conquistado recentemente pelo nosso clube, para a necessidade de cada modalidade ser "autossustentável" e para o desejo de conquista de um título a breve prazo, indispensável para o Braga se consolidar não como o 4.º grande mas com um dos 4 grandes portugueses (ao contrário de outros cujo o único objectivo é ser como os vizinhos, não é senhor José Pereira?!).

De seguida, foi apresentado o relatório de contas do clube em que se ficou a saber que o seu principal credor é a SAD e que o passivo do clube acabará provavelmente este ano. O Braga tornar-se-á dentro de escassos meses o único clube português sem passivo. Foi possível verificar, portanto, que o nosso clube segue na linha da frente quer no plano desportivo, quer no plano financeiro.

Quer o relatório e contas, quer o orçamento do clube para 2011/12 foram aprovados por unanimidade. Além disto, foi aprovado por unanimidade e aclamação um voto de louvor, proposto pelo associado Ricardo Amorim, a todos os atletas do futebol profissional, equipa técnica e restantes profissionais que permitiram a brilhante carreira europeia da época transacta, voto este alargado à direção por proposta do senhro presidente da assembleia geral.

Entenderam ainda os dirigentes que seria necessário (e bem!) esclarecer os presentes acerca do relatório e contas e orçamento para a próxima época da Sociedade Anónima Desportiva (relativa ao futebol profissional). Foram destacados aspectos relevantes do relatório publicado no site do clube, nomeadamente as receitas extraordinárias de 18 milhões de euros (!!!) relativas à brilhante participação europeia da época transacta e de 1 milhão e meio de euros relativos às transferências de Moisés e Matheus e para o facto da transferência do atleta Sílvio ainda não constar nos valores das contas agora apresentadas (70% de 7 milhões de euros e um eventual acréscimo de 2 milhões caso o Atlético de Madrid se venha a apurar para a Liga dos Campeões até à época 2013/14).

Mas a verdadeira nota de destaque vai para a queda de 53% do passivo da Sociedade e para o lucro recorde de 5,2 milhões de euros, nunca atingido pela SAD desde 1997, ano em que foi fundada. Os presentes ficaram ainda a saber que mais cedo foi aprovado pelos acionistas da SAD um orçamento de 15 milhões de euros para a época de 2011/12.

Último destaque para o facto de o Braga ter arrecadado apenas 3 milhões de euros em transmissões televisivas na época passada. É caso para perguntar onde estaríamos com os apoios que os 3 metralhas possuem. Se com um orçamento que não chega a um quinto daqueles que eles dispõem fazemos aquilo que temos feito, como seria com as possibilidades financeiras parecidas às destes?


Mais uma vez, é de lamentar o desinteresse manifestado hoje pelos associados do Braga perante a vida extra-futebol do clube, facto também destacado pelo presidente da assembleia geral, afirmando que "esta é a direção não só dos presentes mas de todos os associados".