7 de maio de 2011

Braga 1 - Benfica 0: A Mais Feliz de Todas As Noites



O Sporting de Braga recebeu e venceu o Benfica de Lisboa naquele que foi o jogo mais importante da história do clube bracarense. Mais de 25.000 adeptos receberam as equipas para uma partida a contar para as Meias Finais da Liga Europa. O Braga entrou em desvantagem nesta segunda mão após ter sido derrotado por 2-1.


Crónica MaisFutebol

Braga em ponto de ebulição com o apuramento inédito para uma final europeia. Golo de Custódio a virar a eliminatória (1-0), marcando encontro com o F.C. Porto no duelo português de Dublin. O Benfica chegou atrasado ao Minho e concluiu uma época deprimente, resumida à Taça da Liga.

25 mil pessoas no Estádio AXA para aplaudir um grande do futebol português. O Benfica acabou como devia ter começado, pressionando, sendo fiel ao seu largo historial. Pode queixar-se da sorte mas despede-se por baixo. A imagem de Fábio Coentrão, tresloucado no rectângulo de jogo após o apito final, confirma o final do estado de graça.

A Pedreira pintou-se de vermelho e branco para alimentar o sonho. Enquanto o hino da Liga Europa ecoava no betão armado do recinto, cartolinas transformavam-se em aviões de papel, sem destino, ao sabor do vento.

A ambição do Sp. Braga seguia nesses aviões, qual projecto de criança que sonhava conquistar o Mundo com idade adulta. O pequeno cresceu e convence pela sobriedade, pela ousadia e segurança. Nas asas, a ambição. O destino: Dublin. Aí vão eles.

Mossoró na fórmula reinventada
Jorge Jesus ajudou a criar um monstro que se virava contra um dos criadores sem complexos, com raiva até. Domingos Paciência, por outro lado, está mais corajoso que nunca. Triunfo a toda a linha numa temporada que ameaçou ser cinzenta e termina com contornos dourados. Aguentou tudo, trabalhou com 41 jogadores e reinventou o onze um milhar de vezes. Na noite decisiva de Braga, o treinador aproveitou o sentimento de vingança de Mossoró, juntando o criativo a Alan e Lima no apoio a Meyong. Jesus apostou no onze provável.

A arte da espera
O Benfica, gerindo curta vantagem de 2-1, apresentou-se no AXA com notório excesso de confiança, acreditando que o tempo iria correr a seu favor. Como tal, entregou a iniciativa de jogo ao adversário, sem reclamar. A formação arsenalista agradeceu e foi à procura da felicidade. Sem pressa, ao contrário daquelas crianças que não sabem esperar a sua vez e pecam por excesso. Um Braga adulto chegou à vantagem com naturalidade, ao minuto 18.

É difícil fugir à curiosidade. Hugo Viana bate o canto, Custódio cabeceia com mestria e sai a festejar com Miguel Garcia. Três antigos leões, desaproveitados na casa que os formou. Finalistas derrotados da Taça UEFA, frente ao CSKA de Moscovo.

Dados invertidos na eliminatória, tudo nas mãos da equipa que vestia de branco. Os Diabos Vermelhos não afastavam uma imagem demasiado angelical na batalha de Braga. Reagiram de imediato, com reconhecida qualidade e menor fulgor. Duas oportunidades claras, aos 33 e aos 43 minutos, soa a pouco, dadas as circunstâncias. Na última, após assistência de um Cardozo em posição duvidosa, Saviola atirou ao poste.

Conta a zero no banco
Jorge Jesus, de cachecol encarnado ao peito, olhava para um banco miserável. Assim mesmo, sem soluções ofensivas para precaver a eventualidade que chegou com aviso. Dois centrais, um trinco, um médio sem andamento (Felipe Menezes), Kardec e Jara, o único velocista. Entrou o argentino, claro, substituindo César Peixoto.

O Benfica melhorou, é certo, e esteve perto do golo. Não chegava. Artur Moraes, que chegou a Braga depois de Marcos, Quim, Felipe e todos os outros, termina a época como titular absoluto e elogiado. Exibição de grande nível do brasileiro.

Ao minuto 72, no momento que pode ter decidido a eliminatória, Moraes saiu com coragem aos pés de Fábio Coentrão, o habitual inconformado, isolado por Cardozo. Morria aí mais um ataque. Nessa altura, o Braga defendia sem vergonha e esperava pelo relógio.

Pouco depois, Saviola ficou a centímetros do golo, chegando atrasado após cabeceamento de Luisão. O Benfica atacava com tudo, finalmente. Roberto evitou o 2-0, Kardec chegou a festejar o empate mas Paulão cortou em cima da linha. Final de loucos, intenso como nunca, trágico para os visitantes.