19 de maio de 2011

Este Braga Europeu

A minha memória futebolística (ou a minha memória, simplesmente), não é tão boa como a da maior parte dos aficcionados. Talvez por essa razão, a minha memória mais antiga do Braga seja de há apenas treze anos: uma eliminatória da antiga Taça UEFA frente ao Vitesse. O Braga tinha sido quarto classificado na época anterior e voltava à UEFA treze anos depois de duas derrotas pesadas frente ao Tottenham (dessas não me lembro mesmo, felizmente).

Ora, para mim, como para muitos, o Braga europeu era uma novidade e ninguém sabia muito bem do que seria capaz aquela equipa modesta do Norte de Portugal, acostumada ao meio da tabela classificativa. O adversário, "uma equipa holandesa", impunha respeito, mas aquela equipa era uma das melhores da história do clube (ainda hoje, eu como muitos da minha geração, recordam com saudades o melhor jogador da história do Braga: Karoglan).

O primeiro jogo, disputado na Holanda, terminou com uma derrota, mas o resultado de 2-1 (golo de penalty de Karoglan) justificava continuar a acreditar na passagem, garantida em Braga com mais dois golos de penalty (convertidos por Artur Jorge). Foi uma eliminatória caricata mas foi nela que senti pela primeira vez a capacidade de transcendência do Braga, equipa de gverreiros antes mesmo de o serem.



Depois do Vitesse, o Braga ultrapassou o Dinamo de Tiblissi (com agregado de 5-0) e caiu na terceira ronda frente ao Shalke 04 (campeão da UEFA em título), empatando a 0 em casa e perdendo na Alemanha por 2-0. Foi o último representante português a ser eliminado da UEFA nesse ano. Ainda nesta época, o Braga fez história ao chegar de novo à final da Taça de Portugal, perdendo frente ao FC Porto. Foi em 1997/1998 que o Braguinha começou a deixar de o ser.

No ano seguinte fez história ao ser o último clube a representar Portugal na Taça das Taças e em 2008/2009 vence a Taça Intertoto, o primeiro troféu europeu do clube, e tornou-se a única equipa portuguesa a ganhar a competição.

A história europeia do Braga, porém, escreveu-se ao longo de milhares de páginas e em dezenas de línguas ao longo da última década: dupla vitória frente ao Parma (1-0, 0-1); empate fora contra o Bolton (1-1); empate em casa contra o Bayern Munique (1-1); vitória frente ao Portsmouth (3-0); derrota tangencial e nos descontos na casa do Milan (0-1); vitória contra o Standard de Liége (3-0) e o empate em Paris contra o PSG (0-0).

Ainda assim, e apesar de todos os parágrafos anteriores terem alimentado sonhos, este ano o nosso Braga tornou todos estes sonhos, até os mais improváveis, realidade. Vencemos históricos europeus como Celtic, Sevilha, Arsenal e Liverpool; jogamos a Liga dos Campeões e fomos o melhor estreante português na prova; corremos a Europa desde Agosto e chegamos à nossa primeira final europeia.

Perdemos, mas não caímos. Descobrimos que o que julgávamos sonhos, são afinal realidade. O Braguinha de que falavam os jornais há quinze anos já não existe. Temos uma massa adepta forte e coesa (quarto maior clube em termos de sócios e assistências no país), uma liderança forte e uma estrutura altamente profissional, um símbolo respeitado em toda a Europa, uma equipa que luta pelo primeiro lugar no campeonato, um clube em que qualquer treinador ou jogador se arrisca a vencer e a fazer história.

Nestes quinze anos ganhamos um Braga novo, um Braga que já não é só de Braga nem só de Portugal. Um Braga que vai continuar à conquista da Europa. E nós vamos estar lá com ele.