8 de abril de 2011

D. Kiev 1 - Braga 1: Continuar a Fazer História

Têm sido tempos de estabelecer novas metas para o Sporting de Braga. Nunca tinha sido segundo classificado no campeonato português, foi-o na última época. Nunca tinha jogado na Liga dos Campeões, conseguiu fazê-lo esta temporada. Nunca tinha chegado aos quartos-de-final de uma competição europeia, está a fazê-lo e tem toda a legitimidade para expandir os seus horizontes, depois de quarta-feira ter empatado a um golo, na Ucrânia, com o Dínamo de Kiev, em jogo da primeira mão dos quartos-de-final da Liga Europa. Não foi uma vitória, mas marcou golos na casa do adversário. É quase a mesma coisa.

O Dínamo de Kiev foi mais um histórico do futebol europeu a provar a qualidade da formação minhota esta época, depois de Sevilha, Celtic, Arsenal e Liverpool - curiosamente, o único adversário europeu a quem o Sp. Braga não conseguiu ganhar nesta temporada é ucraniano, o Shaktar Donetsk. Mas o Sp. Braga começou por passar um mau bocado no estádio Valeri Lobanovsky perante uma formação ucraniana que se apresentava em campo sem Andriy Schevchenko de início mas com uma dupla avançada bastante perigosa composta por Milevskiy e Yamoralenko.

Nervosismo inicial bracarense contra domínio consistente (mas não avassalador) do Dínamo resultaram num golo dos donos da casa. Minuto 6, Gusev centra na direita, Yarmolenko ganha de cabeça a Miguel Garcia e mete a bola na baliza de Artur, que nem se mexeu. Golpe duro para as aspirações minhotas e demonstração da superioridade inicial ucraniana. O Dínamo continuou a atacar e a aproveitar alguma atrapalhação da defesa do Sp. Braga, que Artur foi conseguindo disfarçar, revelando atenção ao defender um remate à queima-roupa de Yarmolenko.

Apesar de demorar a entrar no jogo, o Sp. Braga teve um grande golpe de sorte e conseguiu o empate, numa das raras vezes em que chegou à baliza do Dínamo. Hugo Viana, de canto, enviou a bola para a área, esta chega a Alan e o brasileiro, a meias com Gusev, empurra-a para as redes ucranianas. Foi o suficiente para acalmar um pouco os minhotos, mas não abrandou muito o domínio ucraniano. O Dínamo voltou a estar perto do golo aos 37’ com Gusev a alvejar a baliza do Braga, mas a perder no duelo com Artur.

Depois do intervalo, os treinadores quiseram mudar alguma coisa. Yuri Semin fez saltar do banco a sua estrela maior, Schevchenko, reencontrado com os golos desde que voltou a jogar no seu país, e Domingos Paciência rectificou a permeabilidade do meio-campo, com a entrada de Custódio para o lugar de Paulão. A verdade é que, mesmo com o antigo avançado do Milan em campo, o domínio do Dínamo nunca mais foi o mesmo, porque o Sp. Braga foi mais organizado e perigoso, mesmo que não muito ousado.

E podia ter sido mais perigoso quando passou a jogar com mais um, após a expulsão, aos 61’, do jogador mais famoso em campo. Depois de já ter visto um cartão amarelo, o ucraniano arriscou demasiado quando rematou na direcção da baliza bracarense muito depois do árbitro ter assinalado fora-de-jogo. Veio o segundo amarelo, depois o vermelho, e o Sp. Braga já não tinha de lidar com a lenda “Scheva”. Nem para o resto do jogo (e ainda faltava meia-hora), nem para o jogo da segunda mão.

O Sp. Braga podia ter carregado um pouco mais, mas Domingos Paciência preferiu não arriscar demasiado. Fez entrar Mossoró, um médio mais ofensivo para o lugar de Salino, e, perto do fim do jogo, limitou-se a trocar de avançado, Meyong por Lima. A bola rondou mais a baliza do Dínamo, mas sem haver perigo iminente. O empate com golos já era um resultado satisfatório, mesmo que o técnico bracarense tivesse prometido que não iria jogar para o empate. Dentro de uma semana, o Sp. Braga estará em casa para defender um bom resultado e continuar a estabelecer novas metas, sabendo que, na eliminatória seguinte, poderá encontrar um velho conhecido, o Benfica.

Notícia Público.