11 de março de 2011

Vitória para a história, com mérito e sofrimento!

Que grande vitória! Que orgulho! E que bem que soube – porque acabou por ser algo sofrida!

Vimos no primeiro tempo o Braga que víramos frente ao Benfica: pressionando alto, não deixando o Liverpool sair a jogar e jogando a um ritmo elevado, com alta intensidade. Uma vez mais, trabalho importantíssimo dos homens da frente, caindo sobre os defesas e médios defensivos ingleses (alguns deles com dificuldades quando pressionados) e com isso libertando os nossos meio-campo e último reduto e “roubando” a bola ao adversário ainda no seu meio-terreno. Destaque ainda para a óptima adaptação de Viana à posição seis num jogo teoricamente muito exigente, até do ponto de vista físico, com bom acompanhamento de Salino no trabalho de sapa. Tivemos bola, fizemo-la circular bem e aproveitámos bem a atitude de esperar para ver da equipa inglesa, explorando alguma dificuldade da defesa inglesa em lidar com a velocidade e capacidade de drible dos nossos jogadores. A indiscutível grande penalidade é exemplo das dificuldades sentidas pela defensiva inglesa na primeira metade. Ainda assim, faltou talvez alguma acutilância no último terço do terreno para capitalizar melhor a superioridade evidente nesta fase do jogo. Lima esteve algo perdido entre os “armários” ingleses, faltou talvez um pouco mais de acompanhamento ao avançado brasileiro. O que ganhámos (posse de bola, desequilíbrios individuais) com Mossoró (em relação ao jogo frente ao Benfica), perdemos em presença na área (menos um homem na frente). Ainda assim, um remate extraordinário de Sílvio (de pé esquerdo!) poderia ter-nos levado para o intervalo com um resultado mais gordo.

A segunda metade foi muito diferente. Desde logo, o Liverpool entrou com uma atitude diferente, agora mais empenhado em procurar a nossa baliza e não apenas controlar a partida. Mas o que mudou mesmo foi a nossa (in)capacidade para manter a pressão no início da construção ofensiva do Liverpool pelos nossos homens mais adiantados, fundamentalmente por alguma falta de frescura física. Lima e Mossoró e Paulo César (este de forma evidente, ainda que compreensível pela natural falta de ritmo de jogo) deixaram de ter pernas para cair sobre os ingleses logo na sua saída para o ataque e, com isso, obrigaram a equipa a recuar linhas. Isso tornou-se particularmente perigoso depois da entrada do altíssimo (mas não tosco) Andy Carroll em troca de um médio defensivo (Poulsen). O Liverpool passou a ser claramente mais ameaçador, apostando num jogo directo para Carroll. E pôde fazê-lo porque sobre os homens do seu último reduto já não era exercida pressão e assim, os lançamentos dirigidos para a cabeça de Carroll passaram a ser uma constante. Acresce a isto que deixamos de ter capacidade para conservar a bola, em parte pelo desgaste dos nossos homens mais avançados, em parte porque a tranquilidade já não era a mesma – agora que o Liverpool se mostrava mais ameaçador. Sem bola, era tempo de sofrer. Nessa altura, ficou patente a exiguidade do plantel inscrito na UEFA para estas exigências. As coisas poderiam ser diferentes se houvesse outras opções no banco, sobretudo de meio-campo. Era tempo de reforçar/refrescar o nosso meio-campo, para podermos ter mais bola e aumentarmos a nossa capacidade de pressão no meio-campo adversário. Sem grandes opções (ainda que talvez fosse aconselhável lançar Hélder Barbosa mais cedo para o lugar do muito desgastado Paulo César), não restou a Domingos alternativa senão “inventar” Kaká como “trinco”, lançando Paulão para o eixo da defesa e assumindo o recuo da equipa (a que esta já se vira forçada por força das circunstâncias). Foi tempo de sofrer, correndo alguns riscos (se bem que as coisas tenham de alguma forma serenado com a entrada de Paulão) mas não me parece que houvesse grandes alternativas naquelas circunstâncias. Tivemos alguma sorte porque o árbitro foi amigo num lance dentro da nossa área sobre Joe Cole (no campo fiquei com dúvidas mas confirmei pela TV que era lance para grande-penalidade). Penso no entanto que, atendendo ao primeiro tempo que fizemos e até à exiguidade de recursos com que abordámos este jogo, seria um duro castigo se não tivéssemos vencido.

O resultado é bom… mas, quanto a mim, insuficiente para sermos considerados favoritos à passagem aos quartos de final. A segunda metade do jogo deu um “cheirinho” do que provavelmente será a segunda-mão… caso nos amedrontemos. Há que esperar que alguns lesionados recuperem (pelo menos um dos médios defensivos) e que não percamos mais ninguém por lesão até lá. Não podemos deixar-nos acantonar lá atrás – sob pena de permitirmos um verdadeiro bombardeamento aéreo. Temos de ir a Liverpool de cabeça limpa, sem receios, sabendo que enfrentaremos muitas dificuldades mas que, em grande medida, a responsabilidade recai toda sobre os ombros dos ingleses e que poderemos jogar com isso. Temos de nos apresentar mais frescos, física e mentalmente disponíveis para fazermos o que fizemos no AXA no primeiro tempo: não deixar a equipa do Liverpool sair a jogar, seja através dos seus médios seja através do passe longo.

Agora a sério…1-0, bom!?!? Ao Liverpool!?!? Fantástico! Mainada!