27 de janeiro de 2008

Depois de Belém

Quando há um ano aceitou alistar-se no Beira-Mar para participar numa guerra sangrenta, a luta pela manutenção, Matheus nem imaginava que depressa seria protagonista de um dos resgates mais emocionantes do futebol português, por ter sido tão chorado por um lado (Setúbal) e festejado por outro (Braga). Seis meses de luxo ao serviço do Setúbal, sempre por empréstimo, fizeram dele uma das principais estrelas do campeonato e o Braga nem quis esperar pelo fim da época para ordenar o seu regresso. "Só pensava em fazer o meu trabalho e ser reconhecido pelo meu valor. O Braga reconheceu e trouxe-me de volta, espero agora ajudar", sublinha o atacante, recordando com satisfação as "amizades" que fez em Setúbal e colocando uma pedra sobre os interesses manifestados pelo Sion e PSV Eindhoven. "O Setúbal é passado, agora só penso no Braga. Sobre os outros clubes, só tomei conhecimento pelos jornais. Não tive conhecimento de propostas", assegura. Talhado para actuar sobre a esquerda, Matheus tem apenas a certeza de que não será fácil destronar Wender. "Tem feito boas exibições, mas vou fazer o meu trabalho. Espero que seja uma briga sadia e depois o mister só tem de decidir", perspectiva, manifestando-se igualmente disponível para jogar na direita. "Curiosamente, no Braga joguei sempre nessa posição. Estou disponível para ajudar e assumir qualquer função", garante. A segunda estreia pelos arsenalistas poderá acontecer já na Amadora e o brasileiro mostra-se optimista. "As últimas actuações do Braga não têm sido boas, mas vamos dar a volta por cima", promete.

"Fenómeno" Ronaldo enche-lhe as medidas


Basta recuar seis anos no tempo para descobrir um Matheus absolutamente desconhecido na esfera do futebol profissional. Com 19 anos, o atacante representava o Itabaiana (Brasil) em futsal e ainda tinha de trabalhar num supermercado de Ribeirópolis (Sergipe), como transportador de compras, para ganhar a vida. "Apenas tenho cinco anos de futebol de campo", esclarece. Mal surgiu uma oportunidade para mudar de modalidade, nem pensou duas vezes e o seu ídolo de sempre, Ronaldo (Milan), o "Fenómeno", não deixa margem para dúvidas quanto às suas preferências. "Apesar de tudo, será para sempre o melhor jogador", destaca, considerando ao mesmo tempo um "objectivo impossível" uma futura chamada à selecção do Brasil. "Nem penso nisso", atalha. Sobre a sua actual veia goleadora - já marcou cinco golos para o campeonato, cinco para a Taça da Liga e um para a Taça de Portugal, Matheus diz que é uma novidade na sua curta carreira. "O máximo que consegui foram nove golos ainda no Brasil", precisa.

Já provou fato da UEFA


Os últimos indícios só podem confirmar as suspeitas de que Matheus vai figurar na lista de jogadores do Braga para a próxima eliminatória da Taça UEFA, frente aos alemães do Werder Bremen. "Curiosamente, já provei o fato oficial para essas deslocações, pelo que acredito que serei inscrito", aponta. Depois de se ter estreado em competições europeias na época anterior, frente ao Libérec, o atacante espera agora causar boa impressão na Alemanha, embora sem egoísmos. "Primeiro pensarei na equipa, só depois em mim", afiança.

Rodriguez de volta


Ausente no jogo com o Belenenses em virtude de ter sido expulso frente ao Estrela, a contar para a Taça de Portugal, Rodriguez poderá regressar ao "local do crime" já na próxima jornada. E acabará por ser uma agradável dor de cabeça para Manuel Machado, pois o chileno Contreras já ultrapassou os problemas físicos que evidenciou na sexta-feira.

José Marinho por três anos


Será apenas na segunda semana de Fevereiro que José Marinho assumirá o cargo de director de comunicação do Braga. O jornalista despede-se na quinta-feira da SportTV - ontem relatou o Lille-PSG e está escalado para o Sporting-Penafiel na quarta - e deverá vincular-se aos minhotos por três anos, correspondentes ao mandato de António Salvador. Já a entrada de Carlos Freitas na estrutura do futebol continua a ser descartada pela SAD. in O Jogo